domingo, 5 de junho de 2016

Anne of Green Gables


O diretor Isao Takahata dirigiu três séries para o World Masterpiece Theater, o grande marco da animação japonesa em que um livro da literatura ocidental era adaptado em formato de animação (séries, geralmente com um número de episódios por volta de 50) a cada ano. Duas dessas eu assisti ano passado e escrevi artigos para o blog, sendo elas Heidi e Marco. Depois de um ano, finalmente consegui assistir a última série desse grande diretor que tanto idolatro.

Anne of Green Gables é uma produção baseada no livro homônimo de 1908 da autora Lucy Maud Montgomery, talvez o romance mais conhecido do Canadá. Nesta adaptação, temos o deleite de conhecer a história de Anne Shirley, uma garotinha órfã ruiva que é adotada por um casal de idosos (irmão e irmã) para viver em uma vilazinha rural do Canadá. A série consiste em 50 episódios que vão mostrando o crescimento dessa menina desde os seus 11 anos até os 16.

domingo, 22 de maio de 2016

A Garota Que Saltava No Tempo



Olá, pessoas, como vão? Aqui está bem frio hoje, e é por este motivo que decidi pegar minha coberta e escrever este artigo sobre um diretor de animações que considero quase no mesmo nível que Hayao Miyazaki e Isao Takahata do Studio Ghibli. Seu nome é Mamoru Hosoda. Como o nome já indica, ele é japonês (ah vá) e já trabalhou como animador em séries famosas como Dragon Ball, Digimon e One Piece, tanto que seus primeiros trabalhos diretoriais foram longas-metragens dessas séries. Hosoda tinha até sido escolhido para dirigir a famosa produção O Castelo Animado do Studio Ghibli, mas fontes indicam que falhou em criar um conceito digno aos padrões de estúdio. É gente, trabalhar no estúdio do Miyazaki não é moleza não.

Contudo, essa possível frustração em sua carreira possibilitou a execução de seu primeiro trabalho como diretor de verdade, ao poder exercer maior liberdade criativa, em um filme chamado A Garota Que Saltava No Tempo. Lançada em 2006 pela Madhouse (estúdio que produz BILHÕES de animes), a produção é uma adaptação/sequência espiritual de um romance japonês do mesmo nome, o qual conta a história de uma garota com a habilidade de dar saltos temporais que a permitem viajar no tempo.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Anomalisa


E a temporada de filmes indicados ao Oscar começou! Nós aqui do Goomba Reviews tentaremos assistir o máximo possível de filmes "pré-oscarizados" para discutir com vocês nossas impressões sobre estas obras. E lá vamos nós então!

Anomalisa é um filme de animação realizado em stop-motion, aquela técnica de posar e fotografar, extremamente cansativa e demorada, mas que deixa sempre um resultado lindo visualmente. Mas acreditem, é um saco de fazer! Enfim, voltando...
Charlie Kaufman, conhecido por sucessos nas crítica como “O brilho eterno de uma mente sem lembranças” e “Pequena Miss Sunshine” é quem assina a direção e o roteiro, ao lado de Duke Johnson (mestre em stop-motion).

domingo, 10 de janeiro de 2016

Blackstar

Essa análise foi escrita um dia antes da morte de David Bowie. O álbum agora adquiriu outro significado para mim, pois vejo que foi sua mensagem de despedida para nós, um relato de seus últimos dias e do ícone que se tornou.

Mas não irei modificá-la.

Bowie deixou seu último presente para nós e foi para outro lugar. Seu legado continuará eterno neste mundo.

Obrigado por tudo.

"He trod on sacred ground, he cried loud into the crowd"



1947 - 2016

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Bom, foi em 2011 que escrevi minha última análise sobre um álbum. É, eu tinha 15 anos. Agora, em 2016, com o novo lançamento de um dos artistas de rock mais influentes de todos os tempos, é hora quebrar o hiato de cinco anos.



O camaleão do rock está de volta! Tendo pegado todo mundo de surpresa em 2013 com um novo álbum após estar inativo por 11 anos, David Bowie lançou seu vigésimo-quinto álbum ontem – dia 8 de janeiro de 2016, mesma data que completou 69 anos. E olha, ele não poderia comemorar seu aniversário de maneira melhor! Blackstar é um dos álbuns mais ambiciosos do artista, com canções muito além do pop e rock que permearam sua carreira nos anos 80 e 2000 e que quase se igualam aos seus maiores sucessos da década de 70 em questão de experimentalismo.

Mas devo dizer que o que mais me intrigou nesta obra foi uma certa estrutura que enxerguei nela. A meu ver, todas as músicas se conectam, se comunicam entre si, formam uma história que vai progredindo de canção a canção. Porém, isso acontece de forma inversa, ou seja, a história começa na última faixa e termina na primeira. Talvez seja só loucura da minha cabeça, talvez não seja, pois vendo todo o simbolismo e a ambiguidade presente nos clipes das duas faixas principais do álbum, é bem possível que tenha algo por trás.

Portanto, farei uma análise diferente dessa vez – escreverei sobre cada música do álbum, mas começando pela última e terminando na primeira. Assim consigo explicar melhor a história que percebi na obra.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sussurros do Coração - 20 anos




Hoje é um dia muito especial para mim. Hoje é o dia que um certo filme está completando 20 anos. O nome deste filme é Sussurros do Coração, ou Whisper of the Heart, se preferir em inglês, ou Mimi o sumaseba, para quem gosta de chamar pelo nome original em japonês.

Produzido pelo Studio Ghibli e dirigido pelo saudoso Yoshifumi Kondō, com roteiro de Hayao Miyazaki, a animação nos leva pela vida de Shizuku, uma garota de 14 anos que vive o dia-a-dia sem preocupações, que gosta muito de ler livros, de escrever poesias e de traduzir músicas. Sua vida muda quando ela conhece Amasawa Seiji, um garoto que sonha em ser artesão de violinos e já treina para fazê-lo. Ao encontrá-lo, Shizuku começa a pensar em coisas a respeito de seu futuro que não haviam pairado em sua mente antes e então sua vida dá uma guinada para tomar um rumo diferente. Devo dizer que não é apenas a vida dela que muda, mas também a de quem assiste a essa obra com o coração aberto.

À primeira vista o filme pode se parecer um simples romance, mas na verdade ele trata da busca pela inspiração e pela criatividade, dos anseios de uma garota em expressar seus sentimentos e sua arte através da escrita e de como o processo para se alcançar isso é longo e árduo. Então deixe que eu me expresse a respeito dessa obra pela qual sinto extremo afeto e admiração em um dos artigos mais pessoais que já escrevi.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Divertida Mente



Ontem, dia 16 de junho de 2015, aconteceu uma pré-estreia da animação Divertida Mente, da Pixar, exibida junto de um documentário que mostrava os bastidores da empresa e a maneira como tudo funcionava lá dentro. É bem interessante, diga-se de passagem. Mas enfim - como bons apreciadores de animações, os redatores Granatto e vini64 do Goomba Reviews não poderiam deixar de ir neste evento tão importante, que por sinal era a única chance de assistir à produção com o áudio original em inglês e legendado, tendo em vista que animações raramente são exibidas sem ser em “dublado” no Brasil, afinal, de acordo com a concepção popular, são filminhos de criança. As dublagens dos filmes do estúdio geralmente são muito boas, mas pelo trabalho de voz que nos mostraram deste filme, com um elenco composto apenas por atores Globais que não tem experiência alguma com dublagem, dá pra perceber que coisa boa é que não vai sair. Mas deixando isso de lado, confira a visão dos dois redatores a respeito do mais recente triunfo da Pixar.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Marco (Dos Apeninos aos Andes)


Quando comecei a me fascinar pelos trabalhos do Studio Ghibli, os filmes do Hayao Miyazaki foram muito mais marcantes para mim do que os de Isao Takahata – exceto Túmulo dos Vagalumes, o qual quem assistiu sabe literalmente o que é uma cachoeira de lágrimas. Apesar das animações de Miyazaki já serem muito diferentes do padrão ocidental, as de Takahata fogem mais ainda desse padrão. Praticamente todos seus trabalhos contém absolutamente nenhum conteúdo de fantasia, com uma temática completamente mundana e realista. Isso é algo inexistente em produções animadas do Ocidente e extremamente raro no Oriente nos dias de hoje. Mas a minha visão a respeito desse tipo de animação e de Takahata mudou completamente ao assistir sua primeira série, Heidi (confira meu artigo). Nunca imaginei que existisse uma animação cuja história fosse movida unicamente pelos sentimentos dos personagens, uma animação onde você cria um vínculo emocional com o personagem (que não é mais visto como um personagem e sim como uma pessoa que é parte de você) ao ponto de compartilhar cada lágrima de tristeza e felicidade com ele. Foi então que finalmente percebi a genialidade de Isao Takahata, o que me levou a assistir outra obra sua.

Marco (conhecida em inglês como 3000 Leagues in Search of Mother) é a segunda série de Takahata para o World Masterpiece Theater, um grande marco da televisão japonesa onde a cada ano era feita uma adaptação em animação de um clássico da literatura infantil ocidental. Depois do sucesso que foi Heidi em 1974, o diretor voltou com a mesma equipe de produção (Miyazaki como designer de cenários e layouts e Yoichi Kotabe como character designer e animador chave) em 1976 e adaptou uma pequena parte do romance italiano Cuore de Edmondo de Amicis, expandindo-a grandiosamente em uma narrativa de 52 episódios.

A série foi exibida no Brasil no final da década de 70, no programa Domingo no Parque do Silvio Santos na TVS, que hoje é
 a SBT. Sendo reprisada pela última vez no comecinho dos anos 80, Marco fez bastante sucesso na época e marcou a infância de muitas pessoas, como podemos ver nos comentários emocionantes desse artigo. Infelizmente, pelo fato da última reprise ter sido nos anos 80, qualquer conteúdo em português brasileiro da série é inexistente. Acredito que tanto Marco quanto Heidi nunca mais foram reprisadas pelo fato de serem completamente fora do paradigma ocidental das séries animadas, afinal acredita-se que esse tipo de entretenimento é voltado exclusivamente para crianças e estas não querem saber de emoções e sentimentos nem de uma série que retrata a realidade.