quarta-feira, 17 de junho de 2015

Divertida Mente



Ontem, dia 16 de junho de 2015, aconteceu uma pré-estreia da animação Divertida Mente, da Pixar, exibida junto de um documentário que mostrava os bastidores da empresa e a maneira como tudo funcionava lá dentro. É bem interessante, diga-se de passagem. Mas enfim - como bons apreciadores de animações, os redatores Granatto e vini64 do Goomba Reviews não poderiam deixar de ir neste evento tão importante, que por sinal era a única chance de assistir à produção com o áudio original em inglês e legendado, tendo em vista que animações raramente são exibidas sem ser em “dublado” no Brasil, afinal, de acordo com a concepção popular, são filminhos de criança. As dublagens dos filmes do estúdio geralmente são muito boas, mas pelo trabalho de voz que nos mostraram deste filme, com um elenco composto apenas por atores Globais que não tem experiência alguma com dublagem, dá pra perceber que coisa boa é que não vai sair. Mas deixando isso de lado, confira a visão dos dois redatores a respeito do mais recente triunfo da Pixar.

EMOÇÕES DE DENTRO PARA FORA
- por Vinicius “vini64” Pires

Desde que o primeiro trailer foi lançado, com a premissa de abordar como as emoções decidem as ações e reações de uma criança, fiquei com a impressão de que este seria o melhor filme da Pixar. O meu favorito sempre foi Procurando Nemo e nunca sequer entrou na minha mente o pensamento de que um filme do estúdio pudesse superá-lo, mas algo dentro de mim disse “Divertida Mente será o melhor filme da Pixar”. Com expectativas extremamente altas, decidi ir ao cinema na pré-estreia, enfrentando o horário de pico do metrô de São Paulo. Mas será que minhas expectativas foram alcançadas?

PERSONAGENS

Vamos começar o artigo com aquilo que é o carro chefe do filme – as emoções, que, por sua vez, são os personagens principais. Temos a Alegria, a Tristeza, o Raiva, o Medo e a Nojo (me recuso a usar o nome adaptado em português dela, “Nojinho”). Cada uma é caracterizada de uma maneira tão única e incrível que creio que esse seja o melhor trabalho de estruturação de personagens da história da Pixar. Cada uma delas tem seus trejeitos e maneira de agir e ver o mundo: a Alegria sempre está sorrindo e andando toda saltitante por aí, com uma visão positiva de ver o mundo que chega a dar inveja; a Tristeza – quando não está caída no chão – anda lentamente e está sempre pra baixo, com aquela expressão de gato molhado no rosto; o Raiva é o que tem a personalidade mais estourada (literalmente) do grupo, se movimenta bufando e batendo os pés com força no chão; o Medo, sempre cauteloso, pensa bem em cada passo que vai dar, como mostra as expressões assustadas em seu rosto, além de ser meio esquizofrênico; a Nojo, sempre com uma mãozinha levantada e a outra na cintura, age com desgosto a tudo que acontece – sua expressão no rosto que o diga.


Impossível não simpatizar com personagens tão carismáticos e bem elaborados.

Esse grupo de personagens se encontra dentro da mente de uma garotinha chamada Riley e decidem como ela vai reagir ou o que vai sentir diante de toda e qualquer situação. E isso tudo apenas na sala de comando, mas a mente dela também é formada por diversas outras seções, onde encontramos mais personagens carismáticos e engraçados. Devo dizer que praticamente todo e qualquer ser vivo que faz sua aparição nessa animação deixa a sua marca em quem está assistindo, como por exemplo, os trabalhadores de forma oval e colorida que cuidam de diversos segmentos da memória da garota, sempre fazendo comentários impactantes e humorosos com poucas palavras, o namorado dos sonhos que “FARIA DE TUDO PELA RILEY!” e o amigo imaginário Bing Bong, o qual sabe claramente que as letras P-E-R-I-G-O  formam a palavra “atalho”.

EMOÇÕES

Por se tratar de um filme a respeito de emoções, eu sabia que teria momentos de humor, seriedade e tristeza, mas não imaginei que me depararia com um balanceamento tão formidável e harmonioso entre esses três elementos. As tiradas engraçadas são estrategicamente espalhadas ao longo de sua duração, não é nada forçado como em diversas animações da Disney ou até mesmo nos filmes da Marvel, onde alguém sempre faz uma piadinha fora de hora somente para dar aquele tom de “engraçaralho” ao filme. O humor aqui não é usado para quebrar o gelo de cenas tensas, muito menos composto por acontecimentos ininterruptos toscos e bobos somente executados para fazer as crianças rirem. Não. O humor de Divertida Mente é esperto e inventivo, nunca aparecendo onde não deve. Se os adultos não rirem ao se identificar com o personagem Raiva eu não me chamo mais Vinicius.

"The foot is down! The foot IS DOWN!"

Nas seções onde não vemos humor, fica a cargo da “seriedade” tomar a frente da narrativa. Faz parte do ser humano se decepcionar ou sofrer com certos acontecimentos em suas vidas, então é claro que isso não deixaria de ser abordado nessa produção. Seria o ritmo dessas partes acelerado para que chegue naquilo que realmente importa para as crianças: as risadas? Jamais. A equipe de produção soube respeitar os problemas provenientes das emoções que uma pessoa passa. E não só isso, também o tempo que demora para encontrarmos certos sentimentos escondidos dentro de nós. É então que vêm as lágrimas. O que seriam dos nossos momentos de alegria se não existissem os momentos de tristeza antes?


Muitas pessoas costumam dizer que animações são apenas para crianças, que são feitas somente para entreter o público infantil. Talvez até os pais que levam seus filhos ao cinema pensem isso. Eu espero do fundo do meu coração que esse filme mude a opinião deles. Acho difícil um pai ou uma mãe, sentado(a) ao lado de seu filho(a), não se emocionar com a mensagem familiar encontrada aqui. A produção é, sim, um entretenimento familiar, assim como muitas animações, mas Divertida Mente vai além disso – é uma reflexão familiar.

Como diz a mensagem que aparece nos créditos do filme, escrita por um adulto, "Esse filme é dedicado aos nossos filhos. Por favor, não cresçam".

VISUAL

Tá ai um aspecto que não tem muito o que se falar a respeito em uma produção da Pixar, não é mesmo? O filme encantará seus olhos. Tudo é colorido e brilhante no lúdico mundo da mente de Riley - exceto em uma seção onde um breu total domina a tela e a nós, nos deixando com uma sensação de puro desolamento – e o mundo real sendo representando com tamanha fidelidade em suas cores que parece até mesmo um filme live action. Mas o que mais me chamou a atenção na produção foram os personagens. Eu quase podia sentir a textura do corpo dos personagens principais, sem contar o brilho que a Alegria emanava, representando a sua mais pura alma.


E sobre a trilha sonora, acho que só preciso de dois nomes para descrever tamanha magnificência: Michael Giacchino. A combinação de suas músicas com o visual idílico da animação é de tamanha sinestesia que chega a dar calafrios.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Fico feliz em saber que minhas expectativas foram alcançadas. Mais do que isso – me sinto realizado. Este é, definitivamente, o melhor filme da Pixar. A criatividade é a maior arma contra a alienação e tal arma nunca foi melhor usada para se sobressair às animações clichês que apenas visam o lucro em cima do público infantil. Mais do que isso. Divertida Mente é uma obra de tamanha profundidade em questão narrativa que faz dela uma entidade única em meio a tantos filmes e animações americanas que simplesmente esquecem daquilo que nos move a cada dia e que não poderíamos sequer sobreviver se não fosse por elas - as emoções, a essência da vida. Que essa obra de arte fique em nossos corações para sempre, seja nas horas de alegria, de tristeza, de raiva, de nojo ou de medo.

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A MENTE EM CORES
- por Jordan “Granatto” Nugem

Antes de tudo, preciso deixar claro uma coisa: Sou um grande fanboy fã do trabalho da Pixar desde sempre.
Me lembro bem de ter um dois VHS (eu sou um velho, né?) em casa, um com o primeiro Toy Story e outro com o Vida de inseto.
O que eu fazia em grande parte dos meus dias? Assistia diversas vezes os mesmos filmes.
A maioria das pessoas cresce e acaba perdendo o encanto no mundo. A verdade? Eu, já adulto, não enxergo muito encanto no mundo. Mas enxergo beleza e arte no que podemos criar. E desde sempre, animações são a prova máxima de que o ser humano, por menor que seja, ama e gosta de expressar esse amor. Divertida Mente é a prova disso.
O filme é infinitamente complexo, mas perfeitamente simples. Estranho, não? Mas é exatamente isso que estou lhe dizendo.
A nova animação da Pixar transborda vida, pureza e amor. É incrível como a mente humana foi extremamente bem representada por cinco emoções base.
Lúdico do inicio ao fim, Divertida Mente é, mais uma vez, a prova de que as animações andam sendo mais muito mais originais e interessantes do que os famosos "filmes de adulto".
Sinceramente, não consigo achar mais graça em assistir atores explodindo tudo. Chega, né?

Os personagens são alguns dos mais carismáticos já criados pela Pixar. Principalmente o medo. S2 ele.

A formula Pixar está presente neste filme mais do que nunca.

Sim, você irá rir, e muito (principalmente nos créditos, sério). Sim, você irá chorar, por isso, recomendo que leve lenços ou assista em 3D, caso você tenha vergonha de mostrar suas lágrimas. SIM, desta vez um sim bem grande! Existe uma mensagem linda no filme, uma das mais belas que já encontrei em uma obra audiovisual. Não vou contar para vocês, pois não quero estragar a emoção de descobrir e identificar a mensagem por si mesmo, mas confiem em mim. É simples. É linda.

Eu aposto 2 pila que você irá se apaixonar por este cara!

A animação (técnica) está mais impressionante do que nunca. Bom, você não tem como duvidar de mim se já assistiu algum outro trabalho da Pixar. Os caras manjam, você sabe disso.
Cada um dos personagens caminha de maneira distinta, de acordo com sua personalidade. Os olhos marejados são tão reais que te cortam o coração, e as cores...ah, as cores...que perfeição!
Obviamente, toda essa técnica majestosa aliada à um roteiro sem vida não seria nada, e como eu já disse anteriormente, este roteiro está transbordando de vida. Nossa mente foi explicada com cores e música. Com movimento e luz.
Vale lembrar que a música do grande Michael Giacchino está mais uma vez impecável. A trilha sonora se encaixa perfeitamente à proposta do filme. Caso você tenha alguma dúvida disso, lembre-se que foi esse mesmo cara que fez aquela tema inesquecível do Up: Taratatatatatamtataratatatamparaaamparampapapam! Lembrou da música, né? Confessa!


Confesso que fiquei bastante triste com a Disney do Brasil por tratarem a dublagem do filme da maneira tão comercial e mesquinha. Sempre admirei as dublagens dos filmes da Disney/Pixar, mas desta vez, por algum motivo obscuro, os marqueteiros imbecis da Disney do Brasil decidiram incluir atores inesperientes no lugar de dubladores profissionais. É triste ver que uma obra destas não recebeu o tratamento que merecia. Então, se tiver a oportunidade como eu tive, assista legendado!


De maneira curta e simples: Divertida Mente é um dos melhores trabalhos já produzidos pela Pixar. Eu não quero escrever muito mais para não estragar sua experiência com este lindo filme.
Esqueça um pouco às explosões, dinossauros e sustos baratos de filme de terror. O que são essas emoções momentâneas, de espanto e "excitação" comparadas à emoções reais que apenas RARAS obras audiovisuais podem transmitir? Você vai deixar de sentir tudo isso por alguns momentos de dinossauros e palhaços "aterrorizantes"? Espero que não, pois você tem a chance de assistir à uma dessas raras obras no cinema.
Então corre, tchê! Assista Divertida mente. Sorria, chore, pense e acorde.





 


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