sábado, 3 de março de 2018

Tamako Market / Tamako Love Story


K-ON! foi um dos trabalhos mais bem sucedidos da Kyoto Animation. O anime foi uma sensação no Japão e na internet, adquirindo uma plenitude de fãs no mundo todo. Com isso em mente, o estúdio decidiu produzir uma nova animação aos moldes desta, uma que as pessoas se interessariam ao ver uma imagem e pensar “olha, isso é igual a K-ON!”. Eles recrutaram a diretora, a roteirista e a designer de personagens e criaram uma história original, a primeira do estúdio. E assim nasceu Tamako Market, lançado em 2013.

OBS: Como esse anime foi altamente inspirado por K-ON!, no texto eu faço diversas comparações entre os dois. Apesar de não gostar muito dessa abordagem, foi a melhor maneira que encontrei para expor alguns pontos.


PERSONAGENS

A personagem que empresta seu nome à obra é a Tamako Kitashirakawa, uma garota alegre e avoada. Fofíssima e sempre com um sorriso no rosto, ela trabalha fazendo mochi com sua família, um doce japonês de textura macia feito de arroz glutinoso. Detalhe: ela ama mochi mais do que tudo na vida.


Em um determinado dia, a mocinha encontra um pássaro em meio a algumas flores. Ao despertá-lo, ela se espanta ao descobrir que a ave sabe falar. Dera Mochimazzui é seu nome, um pássaro narcisista de personalidade pomposa. Ele vem da família real de uma ilha tropical e foi mandado ao Japão para procurar a noiva do príncipe. Entretanto, durante sua jornada, se hospeda na casa da Tamako e acaba se habituando às mordomias da garota, adquirindo um vício por mochi que o deixa obeso.

Não existe alguém com autoestima maior que esse bicho.

Na residência da família Kitashirakawa moram o Mamedai, pai da Tamako, um homem estrito, conservador, mas de bom coração; a Anko, irmã mais nova, uma garotinha que se estressa facilmente e não é tão entusiasmada por mochi como seus parentes; e o Fuku, avô, um senhor calmo que ajuda na produção dos doces. O pai da família não foi muito com a cara do Dera por conta de seu sobrenome, Mochimazzui, que soa como “mochi é ruim”.

Família Kitashirakawa (feat. Choi)

Em frente à residência mora o Mochizo, amigo de infância da Tamako que sente uma queda por ela. Ele e sua família também vendem mochis, motivo de conflitos constantes entre seu pai e o da Tamako. Enquanto o Mamedai é amante dos bons costumes, o Gohei já é mais liberal, além de ter uma aparência jovial e despojada. A química entre os dois é divertida de se assistir.

Mochizo com os copos com barbante que usa para se comunicar com a Tamako. Bem fofo.

Gohei, pai do Mochizo, e Mamedai, pai da Tamako.

Eles moram ao lado de um mercado público e seus estabelecimentos são considerados partes deste. Neste lugar são encontradas as mais variadas personalidades que você pode imaginar, todos transbordando de carisma e simpatia, desde o florista, a senhora dos croquetes, o velhinho boa pinta da loja de brinquedos, o senhor dono da casa de banhos, até o gordinho de afro. Eles cuidam do local como se fossem uma grande família.


Sendo uma adolescente, a Tamako também vai à escola, onde estão suas três melhores amigas. A Midori é uma moça estilosa que conhece a Tamako desde pequena, a Kanna é uma garota excêntrica entusiasta de marcenaria que consegue medir o tamanho das coisas só de olhar, e a Shiori é uma menina taciturna e tímida com poucas amizades que fala sussurrando.

Shiori, Tamako, Midori e Kanna.

Voltando ao Dera, faltou falar que ele também funciona como um projetor! Às vezes, completamente do nada, ele projeta a imagem do príncipe de sua ilha e de uma garota tentando se comunicar com o pássaro. Essa garota é a Choi, a qual vai ao Japão para tirar satisfação com o Dera e também começa a viver na casa da Tamako. Ela é um tanto esquentadinha, mas não é nada que um mochi suculento não resolva.


E um gif bônus dela dançando para alegrar o seu dia.

ESTILO

Tamako Market é sustentada por dois pilares: o pilar da comédia e o da fofura. Todo acontecimento é feito para te divertir ou pensar “ai que bonitinho!”. A questão da fofura já fica evidente só de olhar para qualquer imagem da série. A Tamako é aquela protagonista sempre sorridente feita para alegrar seu coração e te fazer sentir como se estivesse envolto num mar de rosas – no caso dela, num mar de mochis fofinhos e suculentos.


O Dera é o personagem mais importante, até mais do que a própria Tamako. Isso se deve ao fato de que grande parte das situações giram em volta dele, tanto que ele é o narrador, e sendo um personagem puramente cômico, é quem dita o tom da obra. Se você não gosta dele, é provável que não goste da série.

Por sorte, eu o acho um personagem divertidíssimo, é uma baita figura. O ar de pretensiosidade que emana sempre que fala algo, a expressividade da sua voz, suas reações de espanto, sua lábia com as garotas e todas as peripécias que apronta me arrancam diversas risadas. Sendo o narrador, ele até traz alguns pensamentos profundos sobre relacionamentos e amor ao início e fim dos episódios, já que se considera uma autoridade no assunto.

E ah, você não pode espirrar nele, caso contrário ele interpretará isso como uma expressão de afetividade.

Das amigas da Tamako, a mais divertida é a Kanna. Não é muito comum você ver uma garota fofa como ela fissurada por marcenaria e reparos. Grande parte do seu humor vem da sua maneira seca de falar, sem nunca sorrir ou mostrar entusiasmo, quando na verdade está eufórica. Ela faz gestos estranhos e no geral é bem esquisita, mas sempre é engraçado vê-la em cena.

"Para um carpinteiro, tirar medidas erradas é inpensável", "É contra a minha política segurar qualquer coisa mais leve que um martelo". Dois jargões que demonstram bem a personalidade única da garota.

Dentre todos os personagens do mercado público, o meu favorito é o dono da cafeteria, sem sombra de dúvidas. Ele fala pouco, mas sempre que algum diálogo o envolve, ele solta frases reflexivas e filosóficas que sempre me fazem rir (e refletir...um pouco). Seu estabelecimento – muito aconchegante e estiloso, diga-se de passagem – toca músicas direto no vinil, da coleção enorme de discos dele. É um senhor culto e eclético que ama música e as aprecia como se fossem canções dos deuses. Quando eu me aposentar quero ser igual ele.

"Se você pensa que música é feita apenas de sons, está enganada. O silêncio também faz parte da música".

"A vida é mais do que apenas dizer adeus. São os encontros que compõem a vida humana".

Mas acho que não deixei claro o suficiente o quão fofo é esse anime... Porque é fofura de mais! A Anko quando está brava ou envergonhada é fofa, a timidez da Shiori a torna fofa, a Choi é tão pequenininha que é fofa, a voz lindinha da filha do dono da casa de banhos é tão fofa que até o gordinho de afro é apaixonado por ela, o florista que você não sabe se é homem ou mulher é fofo(a), até a idosa que vende croquetes é fofa! Tudo é muito fofo!!!!

Overdose de fofuraaaaaaaaaa!!!!!

ARTE

Conforme falei na introdução do texto, a diretora dessa série é a mesma de K-ON! (meu review), ou seja, é a talentosíssima Naoko Yamada. Devo dizer que aqui ela não brilha tanto como em seu trabalho anterior, talvez por não ser sensível e sentimental, mas ainda assim oferece uma direção ótima. Os enquadramentos de linguagem corporal seguem firmes e fortes, sejam eles em pequenos movimentos ou close ups nos olhos ou na boca. O uso de iluminação e sombras continua indefectível, assim como a animação fluída dos personagens. Seguem abaixo alguns (poucos de muitos) frames de planos interessante.






Vejo muitas pessoas comentando que os personagens da KyoAni são todos iguais. Eu discordo. Eles certamente são parecidos, afinal o estúdio tem uma identidade e o design deles reflete isso, mas não são idênticos. Porém, o character design de Tamako Market sim é IDÊNTICO ao de K-ON!, um ctrl c + ctrl v. Dá até pra enxergar os personagens de uma série na outra. Isso é um problema? Nem de longe. Eu adoro esse traço, te passa uma sensação de conforto só de ver qualquer ilustração que o use. É o traço mais realçador de fofura que já vi em qualquer anime, então foi a escolha ideal.


Um detalhe válido de ser comentado é que a série tem 0% de fanservice. Infelizmente isso é algo que permeia os trabalhos do estúdio, as vezes em níveis minúsculos, como em K-ON!, e outras em níveis astronômicos, como em Miss Kobayashi’s Dragon Maid (meu review), então é satisfatório quando uma de suas obras não faz uso algum disso. Nem mesmo piadas sexualmente sugestivas ou designs que reforcem a sensualidade dos personagens são encontrados aqui. É uma animação 100% family friendly.

A série tem cenas de banho, mas não há foco algum no corpo das personagens ou diálogos relacionados a isso.

Dessa vez não reservarei uma seção ao trabalho sonoro, já que não se destaca tanto – a trilha musical que o diga. Terminei de assistir a série essa semana e não lembro de sequer uma música dela. É uma pena que um anime tão inspirado em K-ON!, o qual tem uma das trilhas sonoras mais marcantes que já escutei, tenha passado longe dos passos deste nesse quesito.

A música de abertura é legalzinha, mas a animação dela é a definição de “diabete animada”. Ainda não tem certeza do nível de fofura da série? Essa opening dá conta de te passar o recado. Cores vibrantes, muito rosa, coraçõezinhos e estrelinhas por todo canto, laranjas pulando freneticamente, revistas dançando e, claro, a Tamako sendo o epítome de fofura com seus sorrisos e expressões, como quando coloca a mão na frente da boca e faz um “Ohh!”. Essa abertura é uma explosão de felicidade e mostra justamente o que você encontrará na obra.

                     

Já o encerramento é mais comedido, com uma música relaxante e imagens que mostram a Tamako junto de flores e descansando em um canto, além de alguns takes que mostram suas amigas andando pra lá e pra cá. Esse ending parece tentar evocar a fragilidade e sensibilidade da personagem, algo que não é explorado durante o anime, apesar dela realmente ser como uma flor.

                     

...E O QUE MAIS?

Tamako Market é aquilo que imaginei que K-ON! seria: um anime moe fofo, divertido e bonitinho. Mas enquanto o anime das garotas do Clube de Música Leve mostrou ser isso e muito mais, essa produção de 2013 é apenas isso. Conforme eu falei na seção ESTILO, a obra é sustentada por dois pilares, de comédia e fofura, e o conteúdo nunca vai além desses dois estilos.

Uma das grandes virtudes de K-ON! é como a série aborda seus relacionamentos com profundidade e sensibilidade, algo que é deixado de lado aqui em prol da comédia. O tema "amor" está sempre presente no anime, mas nunca chega a impactar por esse problema. O Mochizo é apaixonado pela Tamako, mas não há um desenvolvimento que nos faça sentir afeição por essa situação. A Midori também sente uma afetividade forte pela garota, mas em nenhum momento esses sentimentos são explorados devidamente 
 você fica sem saber se ela apenas gosta muito dela como amiga ou se a ama. A Anko tem uma paixonite por um colega de classe dela, mas é apenas uma coisinha para você ficar “owwwnn”.


Além disso, não é mostrado o suficiente dos personagens a fim de que você consiga se apegar a eles. O fato de que o Mochizo gosta da Tamako é tudo o que sabemos sobre ele. É dado um certo destaque para os acontecimentos da vida escolar da Anko, mas nunca vemos a escola dela. Todo o pessoal do mercado público funciona praticamente como um alívio cômico, sem nunca mostrar nada da vida pessoal de nenhum deles. Até mesmo com a Tamako é difícil de se apegar fora à sua fofura, pois ela é apenas uma garota alegre que adora fazer mochi e se divertir.

Pelo menos todos os personagens são muito carismáticos.

Se tem uma personagem e situação com as quais consegui me identificar a um nível pessoal foi com a Shiori no episódio 3. Sendo uma pessoa demasiadamente tímida, ela não sabe como interagir devidamente com uma pessoa nova que está tentando se aproximar dela. Eu me identifiquei com a maneira como ela precisa se preparar para agradecer outra pessoa, já que também tenho dificuldades em expressar isso pessoalmente. Demonstrar gratidão é mais difícil do que parece, até para amigos de longa data. É algo que faço melhor por texto, e ainda assim hesitante.

Enquadramentos que nos colocam na pele da personagem.

Em suma, Tamako Market não oferece mais do que aparenta. Não há uma variedade de situações que desenvolva os personagens. Nem mesmo no episódio final, com momentos sentimentais que poderiam ser emocionantes e possivelmente arrancar umas lágrimas, eles não tentam puxar um drama. O clima é sempre cortado por interrupções cômicas dos personagens. Isso não me agrada tanto, afinal, eu sinto uma gratificação enorme quando crio um envolvimento emocional com alguma obra – isso a torna especial para mim.

Contudo, essa é a identidade da obra. É um anime feito única e exclusivamente para te divertir e cumpre essa função perfeitamente. Ele não se arrisca em nenhum momento, mas nem tudo precisa ter diversas camadas para que possamos desfrutar. Às vezes precisamos apreciar uma obra pelo que ela é e não pelo que poderia ser. Além do mais, em relação às comparações que fiz, K-ON! tem o benefício de uma 2ª temporada para desenvolver melhor seus personagens, então compará-lo com esse anime não é lá muito justo.


Mas e se eu te disser que tem mais algo em relação a obra? À série realmente não há mais nada, mas a história de Tamako e seu amor por mochi não acaba aqui – e dessa vez não me refiro exatamente ao mochi de comer...

TAMAKO LOVE STORY



Um ano após o término da série, foi lançado um filme de apenas 1h18, Tamako Love Story. Como já pode imaginar pelo título, o longa-metragem conta uma história de amor, especificamente entre a Tamako e o Mochizo. Antes de assisti-lo, eu li diversos elogios a seu respeito, com muitos comentários dizendo como ele é superior à série.

Não há dúvidas de que o filme é diferente da série, em grande parte devido a uma sacada muito esperta dos roteiristas – a exclusão do Dera na história. Por mais que eu gostasse dele, sua participação basicamente definia o estilo humorístico da obra. Ao remover o personagem, eles quebraram ao meio o pilar da comédia que sustentava a obra. A comédia ainda está ali, mas não é ela quem sustenta o filme. Em seu lugar foi erguido um pilar que me fazia falta na série: o pilar dos sentimentos.

Tchau tchau, Dera. Os japoneses nem gostam de gordos mesmo.

Sem o Dera no caminho, isso abriu passagem para que a relação entre a Tamako e o Mochizo fosse aprofundada. O foco de Love Story é direcionado totalmente a explorar os sentimentos dos dois, o que se passa em suas cabeças. Foi uma decisão válida não dar tanto destaque a isso na série para que pudessem abordar com ênfase aqui, apesar de que essa falta de destaque resultou em um envolvimento menor da minha parte nos acontecimentos do filme. Além do mais, narrativamente falando, ele não oferece nada de especial.

É uma história de amor simples, de dois amigos de infância em que um garoto se apaixona por uma garota que apenas o via como um amigo. É extremamente similar a Sakura Card Captors (meu review) – a Tamako é avoada igual à Sakura e fica sem reação ao descobrir que o Mochizo a ama. Ela o evita enquanto está confusa em relação aos seus sentimentos. É ajudada por uma amiga, Midori, que tem sentimentos por ela, mas que apenas quer vê-la feliz, assim como a Tomoyo. Ao saber que o Mochizo está indo embora para Tóquio, a Tamako se desespera e, ao encontrá-lo, lhe dá uma resposta, assim como aconteceu com a Sakura e o Syaoran.


A diferença é que o relacionamento do casal de Sakura Card Captors foi sendo desenvolvido ao longo de 70 episódios, o que está longe de ser o caso aqui. Em uma história com foco em romance, é crucial que você se apegue aos personagens para desfrutar de tudo que a obra tem a oferecer, mas Tamako Market não aprofundou seus personagens o suficiente para que isso fosse possível e não é um filme com pouco mais de 1 hora que vai mudar a situação.

É então que entram em ação a diretora Naoko Yamada e a Kyoto Animation. Eles conseguiram transformar uma história de amor simples em algo visualmente encantador. Se na série a direção dela não brilhava tanto, em Love Story é como se fosse um raio de luz que penetra até a alma. Os enquadramentos e o uso formidável de iluminação transmitem os sentimentos dos personagens sem que eles falem uma palavra. A delicadeza com que certas cenas são conduzidas são uma representação visual daquilo que é sentir amor.



Não quero parecer fanboy, mas eu acho difícil que qualquer outro estúdio que tivesse executado uma narrativa tão mundana e até mesmo batida como essa conseguisse chegar no resultado que a KyoAni alcançou. É um trabalho repleto de beleza, sensibilidade e atenção a detalhes que poucos estúdios conseguiriam replicar, como talvez o Studio Ghibli. Um trabalho que viria à tona novamente no próximo longa-metragem da diretora, Koe no Katachi (meu review), dessa vez com uma carga emocional muito maior.



O trabalho de sonorização do filme também é fantástico. Durante a confusão que se passava em sua mente, a Tamako não conseguia se concentrar nos arremessos de bastão que estava treinando para uma apresentação. É dado um destaque considerável para as quedas duras do bastão no chão, com um som forte e ecoado. Isso é repetido ao longo do filme e vai se intensificando, como uma representação do transtorno mental da personagem e de suas frustrações. É como se cada queda do bastão implicasse que sua vida ficaria sempre no chão caso não tentasse resolver seus problemas. Ela precisava dominar o bastão.


Quanto à trilha sonora, novamente não tenho nada a comentar, exceto por uma canção chave para a história – Koi no Uta, cuja tradução é Canção do Amor. Na realidade, ela já aparece na série em um de seus melhores momentos, quando é apresentado o passado do pai da Tamako. Essa música é de uma banda que ele tinha na adolescência e foi composta para conquistar a mãe da menina. A Tamako ama a canção e, em Love Story, serve para ajudá-la a tentar lidar com seus sentimentos. É tão boa que foi usada na abertura e nos créditos do filme, com a animação de encerramento fazendo um clipe fofo em stop motion para a tema.

                      

Junto do primeiro amor também vem o amadurecimento, e sendo um estúdio especialista em humanizar seus personagens, isso não poderia deixar de ser abordado. A Tamako nunca havia enfrentado nenhum problema pessoal até ser surpreendida pela declaração do Mochizo. Ao ter que lidar com seus sentimentos, isso abre seus olhos para outras questões. Ela se sente diferente, porém vê como todos ao seu redor continuam iguais e percebe que todos eles têm problemas, mas precisam seguir com suas vidas independente disso, algo que ela não estava conseguindo fazer.


Com o fim iminente do ensino médio e a intenção do Mochizo de ir a Tóquio estudar cinema, ela nota como nunca se questionou sobre seu futuro, apenas pensava em continuar vendendo mochis para o resto da vida. Um sonho pouco ambicioso, até mesmo em relação às suas amigas, que já estão com diversos planos para o futuro. A Shiori parece ser a mais decidida, ainda que com um pouco de relutância que todos nós sentimos ao dar o próximo passo após terminar o ensino médio.

"Em vez de ficar pensando se deveria fazer ou não, apenas decidi fazer. Estou um pouco nervosa, mas....nós temos que começar de algum lugar, não é mesmo?"

Uma figura com um papel importante em dar o ponta pé inicial tanto à Tamako quanto ao Mochizo é o dono da cafeteria. Seus diálogos na série, por mais que eu os ache cômicos por sua ambiguidade, sempre são ditos com um tom de seriedade para proporcionar uma reflexão. No filme, seus comentários são o que despertam algo dentro dos protagonistas, a flor do amadurecimento desabrochando. São conselhos para se levar à vida.

Acelerar as coisas é o que significa ser jovem. Você não consegue esperar nem que uma colher de açúcar derreta. A amargura do arrependimento é a prova de que você ao menos tentou algo".

Mochizo logo após ouvir essas palavras.

Apesar da ausência do Dera, o humor ainda está presente, afinal, faz parte da essência da obra. Contudo, ele deu uma empobrecida. Um dos meus elogios à série foi a ausência de fanservice e piadas sexuais, os quais deram a sua graça infeliz neste longa-metragem. Por algum motivo, decidiram dar uma fixação à Tamako em inventar mochis em forma de bunda e peitos. Em uma cena ela fica apertando a bunda de suas amigas e temos um diálogo sobre consistência de nádegas, em outro ela observa os seios grandes de uma mulher, com um take que os centralizam em tela, e ao longo de 1/3 do filme ela não para de falar sobre essa sua ideia mirabolante.

Tá, é algo pequeniníssimo que, se juntar todos os trechos, não dá nem 5 minutos de relevância no filme, mas a ausência total desse tipo de conteúdo na série me deixou um pouco decepcionado que tenham decidido inserir isso aqui, por mais que seja quase insignificante. Até consigo enxergar o papel disso na história, meio que como uma representação da personalidade ingênua da Tamako antes de ser submetida às mudanças que a declaração do Mochizo proporcionam, que é quando ela deixa essa bobeira de lado. Mas ainda assim foi algo que me incomodou.


Em contrapartida, se tem alguém que rouba a cena em relação ao humor nesse filme é a Kanna. Mais empolgada do que nunca com o festival de dança que ela fez com que seu grupo de amigas se inscrevesse, sua excentricidade atinge novos níveis. O apelido que dá à Tamako de super pervertida por mochi é a única coisa boa a surgir do defeito que mencionei no parágrafo anterior.

As ajudas que tenta oferecer à sua amiga diante de seu dilema amoroso são dignas de um artigo do WikiHow. Como superar uma aversão por algo? Ela superou a sua por pregos andando com muitos deles nas mãos. Como iniciar um diálogo natural com o cara que se revelou para você? Se joga na frente dele e pede para que ele construa uma casa para você. Os diálogos dela e suas ações são impagáveis.


Devo dizer que esperava mais do filme após ter lido alguns comentários, mas eu não deveria. Tamako Love Story não precisa ser nada além do que já é. O seu charme está em sua simplicidade. Citando um trecho de um conto de um grande amigo meu, “existe mais beleza na simplicidade do que jamais poderíamos compreender”. É uma história honesta de amor e amadurecimento que não precisa de drama ou grandiosidade para transmitir sua mensagem, reforçada por um trabalho visual estonteante.


-por Vinicius "vini64" Pires

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