quinta-feira, 23 de março de 2017

Sakura Card Captors


Era uma bela madrugada sem muito o que fazer. Estava deitado sem sono. Foi quando me veio uma ideia à mente. Havia uma animação que assistia na infância cuja tinha poucas recordações a seu respeito. Decidi assistir ao episódio inicial por curiosidade, sem pretensão de seguir em frente com os demais. Acontece que eu adorei esse primeiro, então fui assistindo mais alguns. Quando me dei por conta, estava apaixonado. “Caramba, Vinicius! Já entregou de bandeja assim sua opinião sobre a obra?” Sim, meu amor por essa lindíssima animação é tão grande que eu não pude me conter.

Estou falando de Sakura Card Captors, adaptação de 1998 do mangá homônimo do grupo Clamp. A animação é um clássico mahou shoujo, termo japonês cuja tradução literal é garotas mágicas, um gênero de animes com protagonistas femininas que usam poderes mágicos. Diferente de grande parte das animações desse gênero, Sakura tem um foco maior na vida cotidiana, nos sentimentos dos personagens e em suas relações. Então, vamos falar mais sobre essa lindeza?

PERSONAGENS E HISTÓRIA 


A protagonista que dá nome à obra é a Sakura Kinomoto, uma garotinha fofíssima de 10 anos que é doce e amável com todos e manda muito bem nos esportes, mas é bastante bobinha e desatenta, tem medo incondicional de histórias de terror e odeia ser chamada de monstrenga.


Em um fatídico dia de sua vida, a garota encontra um livro antigo que selava cartas criadas por um poderoso mago. Ao abri-lo, estes artefatos mágicos, conhecidos como Cartas Clow, são lançados e espalhados por diversos lugares da região em que vive. É neste momento que ela conhece Kerberos, o guardião das cartas. Em sua forma de disfarce, ele lembra um boneco de pelúcia, portanto foi apelidado com o nomezinho de Kero. Esse bichinho é super extrovertido e agitado, especialista em vídeo-games e adora doces mais do que tudo na vida.


Como Sakura foi a responsável por dispersar as Cartas Clow, Kero a encarrega com a missão de capturá-las novamente. É assim que essa garotinha se torna Sakura Card Captor! Cada uma dessas cartas possui um poder diferente e são únicas em suas personificações.


Sua melhor amiga é a Tomoyo. Essa menina de longos cabelos escuros e pele branca como a neve é obcecada por Sakura e passa o dia inteiro a elogiando. Seu passatempo mais gratificante é gravar sua linda amiga durante o seu dia-a-dia e suas façanhas como Card Captor. Além disso, é uma exímia modelista: não há nada que a deixe mais contente do que ver Sakura usando seus exuberantes vestidos cheios de graciosos adornos durante a captura das cartas. Ela também tem uma voz de canto maravilhosa e encanta a qualquer um com suas canções.

Ahh, a Tomoyo é simplesmente perfeita! <3

Na família Kinomoto temos o Toya, irmão de Sakura que adora importuná-la, mas a ama imensamente e tenta protegê-la sempre que tem algo de errado (ou quando algum garoto fica próximo dela :P). O pai da família é o Fujitaka, professor de arqueologia cujas maiores virtudes são sua bondade e seu jeito carinhoso. Sua esposa se chama Nadeshiko, uma formosa modelo que faleceu ainda jovem, mas está sempre presente na vida de seus filhos e seu marido, mesmo estando no paraíso.


Um grande amigo da família é o Yukito, um lindo garoto que conquista o coração de todos com sua personalidade gentil e educada. Não bastasse isso, ele também é inteligentíssimo e versado em tudo que faz, especialmente em agradar aqueles especiais para si. Chega um ponto que até nós que estamos assistindo à série passamos a dizer “AI AI AI YUKITOOO!” junto da Sakura quando ele aparece.


Em sua missão como Card Captor, Sakura tem ao seu lado um garoto que é um rival e auxiliador ao mesmo tempo. Shaoran Li é descendente da família do Mago Clow, então acredita que ele é quem deve deter o poder das cartas. O menino esquentadinho age de uma maneira quase que antagonística durante o começo de sua relação com Sakura, mas o jeitinho meigo dela vai amolecendo seu coração com o passar do tempo.


Também da família Li, Meiling é a prima de segundo grau do Shaoran, uma menina de personalidade explosiva que é extremamente possessiva de seu primo: super ciumenta, vive agarrada nele, faz de tudo para o enaltecer diante dos outros, o ajuda em suas obrigações e, acima de tudo, tenta a qualquer custo obter o seu amor. É muito imatura a maioria das vezes, mas é evidente que suas intenções são genuínas.

E nem tente provocá-la se não vai levar vários golpes de artes marciais na fuça!

No colégio Tomoeda, onde estudam, Sakura e Tomoyo têm seu trio de amigas. Rika é uma garota bem madura para a sua idade e é muito hábil com costura; Naoko é uma leitora assídua de livros e fã de histórias sobrenaturais e de terror; Chiharu é a que menos mostra seus gostos e habilidades, mas é mestra em interromper o Yamazaki quando começa a inventar mentiras. Este, por sua vez, não faz parte do trio, mas está sempre junto delas para lhes contar fábulas absurdas como se realmente tivessem acontecido, nas quais a Sakura e o Shaoran sempre acabam caindo.

Da esquerda para a direita: Yamazaki, Sakura, Tomoyo, Chiharu, Rika e Naoko.

Eu me senti na obrigação de listar alguns que as pessoas não se importam tanto e esquecem seus nomes, como as amigas de Sakura e seu pai, pois eu adoro todos os personagens dessa animação, de coração – cada um deles tem influência no sorriso infindável que ficou no meu rosto durante todo segundo em que os acompanhava enquanto viviam suas vidas.

ARTE

Ok, vamos começar falando sobre o trabalho de cenários. Os backgrounds pouco detalhados e pintados de maneira leve dão a impressão de que são meio esmaecidos. Isso nos transmite uma sensação de leveza e delicadeza, algo muito bem-vindo nessa experiência confortante que é assistir Sakura Card Captors.


Em contrapartida ao minimalismo dos cenários, o design das Cartas Clow é repleto de detalhes. Cada uma delas é única em seus desenhos, variando de magos com diversos adereços, capas e vestidos, um tigre em forma de raio, um balão alado e até mesmo um simples cadeado. Tão impressionante quanto vê-las em ação, é a arte das cartas em si quando trancadas. Me falta até palavras para descrever essas ilustrações, então deixo essa imagem abaixo para vocês apreciarem com seus próprios olhos esse trabalho artístico admirável.


Mas o aspecto mais fascinante da arte dessa animação é o vestuário dos personagens, em especial o da Sakura. Sério, se eu disser que ela veste 50 roupas diferentes ao longo da série isso ainda vai ser um palpite baixo! Grande parte de sua vestimenta é proporcionada pela linda Tomoyo para usar durante as capturas das cartas, e devo dizer que ela não é a única que fica deslumbrada ao ver sua amiga pulando e correndo por aí com as formosas fantasias que desenhou.


E não é só durante as sequências de combate que vemos diversas variedades de vestimenta! É muito difícil a Sakura usar sempre a mesma roupa em casa, veste até mesmo pijamas diferentes. Ela e a Tomoyo variam seu vestuário com frequência quando vão sair juntas, seja em ocasiões especiais ou não. Como o cabelo da senhorita Daidouji é muito grande, ela constantemente experimenta penteados novos: já usou tranças, fez coques, ficou estilo Maria Chiquinha, estilo Diana Barry... Mas ela é encantadora de qualquer maneira, assim como a Sakura.


Todo esse trabalho de arte fantástico é suportado por um trabalho de animação não menos fantástico que traz à vida – com fluidez excepcional – todos os personagens e essa abundância de vestuário. As sequências de captura das Cartas Clow e o uso das próprias em qualquer situação são um espetáculo visual daqueles que você gostaria de estar ali presenciando e filmando, assim como a Tomoyo.

Cartas Labirinto e Ilusão utilizadas em conjunto. Só um exemplo da lindeza que é as Cartas Clow em ação.

A sequência de transformação do báculo mágico é repetida inúmeras vezes ao longo da série, mas ela nunca se torna cansativa, porque, a cada episódio, a Sakura a realiza com uma roupa diferente, então sempre é uma maravilha ver como tal vestimenta é animada durante essa sequência.

Não dá para ficar enjoado disso. Todas as vezes você gritará junto, "liberte-se!"

ÁUDIO

De todas as animações das quais escrevi aqui no Goomba, Sakura Card Captors é a única que assisti dublada e devo dizer que adorei a dublagem. Ela conta com alguns nomes famosos como Fábio Lucindo (Ash, Kuririn, Shinji) na voz do Shaoran, Vagner Fagundes (Gohan, Luffy, Invasor Zim) como o Toya, Rodrigo Andreatto (Joey e Jaden do Yu-Gi-Oh) como o Yukito, e tem até uma moça que viria a se tornar atriz da Globo depois – Marisol Ribeiro, dubladora da Meiling. O grande destaque vai para as vozes adoráveis da Sakura (Daniela Piquet) e da Tomoyo (Fernanda Bullara). É difícil não ficar feliz só de ouvi-las falar <3

Assim como diversas outras dublagens de anime, ela não é livre de erros: tem certos momentos em que o diálogo parece incoerente e existem algumas inconsistências no sentido de algo que foi dito não se encaixar com o que foi mostrado, mas são pouquíssimas as vezes em que isso acontece. Não é um problema que subtraia seu desfrutar da obra ou que invalide a versão dublada.



Outro aspecto fenomenal dessa animação é a trilha sonora. Nela você encontra músicas alto astral para as situações alegres, agitadas para as sequências de ação, grandiosas para os acontecimentos épicos e sensíveis para os momentos de ternura. A sinergia entre imagem e áudio da obra é enorme, digo isso porque as músicas sensíveis sempre faziam vir lágrimas aos meus olhos quando alguma situação bonita estava acontecendo e as peças mais agitadas me deixavam empolgado.

                  
                         Me emociono cada vez que escuto essa música.

                  
                       Uma peça de ação que toca frequentemente na série.

As canções vocais também são cativantes, tanto as aberturas e encerramentos quanto aquelas usadas como inserts nos episódios. Tem até músicas cantadas pela Tomoyo! Por sorte, a versão dublada que assisti manteve suas canções com o lindíssimo vocal japonês dela.

                  
       Impossível não se encantar com essa melodia acompanhada da bela voz da Tomoyo <3

                  
                                          Minha canção de insert favorita.

A trilha sonora é ótima para se escutar até mesmo durante o seu dia-a-dia, afinal, não há nada mais “levantador de ânimo” do que ouvir essas músicas que te lembram de todos os momentos que você acompanhou da vida de Sakura e suas companhias. Mas já fique preparado para se emocionar em público com as peças emotivas da trilha. Não tem como evitar aquele olho ficando pesado quando as cenas mais sentimentais lhe vêm à mente.


A VERDADEIRA MÁGICA DE SAKURA

Apesar do nome da obra ser Sakura Card Captors, a captura das Cartas Clow pode até ser o tema central, mas não é exatamente o ponto mais relevante do enredo. Eu acredito que o nome deveria ser Sakura Feelings Captor. Por que? Porque essa série captura o seu coração de um modo que você se sente assistindo a uma personificação visual do sentimento de felicidade. Isso graças ao foco dado às relações entre os personagens e seus sentimentos.

Eu me emociono cada vez que assisto a terceira abertura, devido ao fato de que ela contém uma síntese absoluta da obra. O trecho em questão é o gif logo abaixo. Nele, a Sakura estende as duas mãos para segurar uma pétala, mas a segura apenas com uma mão, bem devagarinho, e depois a protege gentilmente com a outra mão. Essa cena representa a afetividade e a sensibilidade de como os sentimentos são retratados nessa animação. Mesmo com toda a mágica fantasiosa, essa abordagem sentimental nos permite sentir as emoções dos personagens, ao ponto de os enxergar como seres humanos de verdade.


Esse trecho da abertura também representa a fragilidade. Apesar de os personagens mostrarem como são fortes nos momentos de ação, todos são frágeis como uma pétala quando o assunto é a afetividade que sentem por alguém querido. Isso é retratado lindamente no Shaoran: o maior desafio para ele não é reunir as cartas, mas sim compreender seus sentimentos pela Sakura e depois revelar estes para ela. E isso é algo que o amor faz conosco – nos deixa frágeis.


Outra palavra que define essa animação é ternura. Não há nada mais confortante do que a maneira carinhosa como o pai da Sakura trata sua filha. Quando destrói acidentalmente o trabalho de arqueologia dele, é de encher os olhos de água ver como ela fica devastada e faz de tudo para compensar o estrago que causou. Vê-la usar a carta da Chuva para criar um arco-íris a fim de agradar um senhor de idade é lindo. Mais lindo ainda é ver este senhor, bisavô de Sakura, se emocionar com os presentes que recebeu de seus bisnetos e se desculpar ao pai da garota por não ter sido receptivo com ele quando se casou com sua neta. Uma Carta Clow que revela sua verdadeira forma ao ouvir uma bela canção da Tomoyo e faz um dueto angelical com a menininha é de uma sensação de apreço indescritível. O Toya presenteando a carta Espelho com um par de laços para seu cabelo e a reação desta ao recebê-los me traz lágrimas aos olhos só de lembrar.

Essa animação te cobre com um cobertor de ternura.

Um momento muito marcante para mim é quando o Shaoran revela para a Meiling o que sente pela Sakura. Essa situação já é bonita só pelo motivo de ele ter decidido contar por ter feito uma promessa a ela de que diria quando encontrasse a pessoa especial de sua vida, já que a garota é apaixonada por ele e o preza acima de tudo. Mas o que torna este episódio ainda mais lindo é a maneira como a Meiling reage a essa revelação. Para a surpresa do Shaoran, ela encara isso com um sorriso no rosto, o incentiva a se declarar logo para a Sakura e lhe deseja toda a felicidade do mundo.

Porém, no fundo, ela estava completamente arrasada, mas como não queria preocupar essa pessoa tão querida da sua vida, vai correndo para a casa da Tomoyo e se debruça em seu colo para descarregar todas as suas lágrimas e desabafar aquilo que estava sentindo. Essa garotinha, outrora mimada e histérica, mostrou como se tornou madura e compreensível com esse comportamento, tudo em prol dos sentimentos do Shaoran, a pessoa que ela mais ama.


A representação do amor nesta obra é algo difícil de se encontrar em qualquer outra animação. É uma representação pura, sem nenhum tipo de malícia. A Tomoyo ama a Sakura, não só no sentido de amizade, mas seu sentimento por ela é tão forte que admite não se preocupar caso seu amor não seja correspondido, pois a felicidade da “pessoa querida” dela é como se fosse a sua. O vínculo do Toya com o Yukito vai além de uma simples amizade e essa afetividade se intensifica com o passar do tempo, não só para eles, mas também para nós, pois a preocupação do irmão da Sakura com o “ai ai ai Yukito” durante o último arco é tocante. 
Uma relação que infelizmente as pessoas só conseguem enxergar maldade é entre a aluna Rika e o professor Terada. A garotinha ama seu professor, tenta agradá-lo com presentes que ela mesma costura, e ele a trata com carinho e ternura. É um sentimento inocente, não há malícia alguma nisso.

"Seria muito cruel viver em um mundo onde ninguém sente uma coisa especial por alguém querido" - KINOMOTO, Sakura

A sensibilidade com que todas essas relações são retratadas me causou um impacto positivo. Eu sou uma pessoa que se inspira muito em animações que mostram relações humanas realistas e que focam nos sentimentos, escrevi sobre diversas destas aqui no site onde vocês podem ler como cada uma é especial para mim. Com Sakura não é diferente: a empatia que sinto com os personagens dessa série alegra minha vida. São raríssimas as obras audiovisuais que conseguem criar esse elo sentimental com o telespectador.

Sorriso e lágrimas de felicidade - os dois componentes principais de minha experiência com Sakura Card Captors.

Eu acho que é impossível alguém assistir a essa animação e não ficar feliz. Além de toda a parte sentimental supracitada, existem inúmeros momentos descontraídos, faz parte da essência da obra. As trapalhadas da destrambelhada e ingênua Sakura, a fissura da Tomoyo por sua melhor amiga, as provocações do Toya com sua irmã, a personalidade explosiva do Kero que tá sempre se enfiando onde não deve e tretando com o Shaoran, o estômago infinito do Yukito, o fascínio da Naoko por contos sobrenaturais que congelam a Sakura de medo, as mentiras mirabolantes do Yamazaki... Tudo isso e muito mais contribuiu ao sorriso que não saia de meu rosto por um segundo sequer durante cada episódio.


Acerca do que falei no primeiro parágrafo dessa seção, não entenda como se eu estivesse desmerecendo as Cartas Clow. As variadas situações que elas criam têm grande mérito nesse conjunto de elementos que fazem de Sakura Card Captors uma obra tão cativante. Eu acho fascinante como certas cartas são capturadas em sequências épicas de ação, mas ao mesmo tempo algumas criam situações triviais como uma chuva de pétalas, deixar as pessoas dormindo, transformar tudo em doce, cantar uma canção, e simular o brilho encantador dos vagalumes.

Uma carta que deixa a Sakura do tamanho de uma formiga? Confere!
Uma carta que materializa tudo aquilo que você imagina? Confere!
Uma carta que brinca de cabo-de-guerra com a Sakura? Confere!
"Uma carta que é igualzinha aos contos sobrenaturais da Naoko?? Aiii Tomoyo, eu tô com medooo!!"

CONCLUSÃO

É muito gratificante assistir a uma animação que exala vida, como é o caso de Sakura Card Captors. Você consegue sentir o que os personagens vivem e isso te afeta de uma maneira positiva, como se a felicidade deles fosse a sua. Isso se carrega para o seu dia-a-dia – os sorrisos puros da Sakura e da Tomoyo são como um raio de luz que ilumina e purifica sua alma e faz qualquer sentimento negativo se dissipar.

É certo que, com o passar dos tempos, aquilo que sentíamos por uma obra que tanto apreciávamos diminui, mas eu espero, do fundo do meu coração, que a estrela da Sakura continue brilhando intensamente e eternamente para mim.


-por Vinicius "vini64" Pires


Leia também meus outros artigos de animações:
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário: